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DOGMA E TEORIA
A Igreja Ortodoxa se caracteriza por uma teologia dada a poucas definições (dogmas), e por uma rica e profunda doxologia pela qual expressa sua fé e vivência mística (teoria), pois entende ser Deus – em sua essência – absolutamente incompreensível (Rm. 11:34) e totalmente inacessível (1 Tm 6:16); dele apenas se conhecendo o que Ele nos quis revelar (Rm 1:19) por meio de imagens pálidas (1 Cor. 13:12) transmitidas através de suas manifestações (teofanias) que são comunicações de suas energias, mas não de sua essência (Ex 33:20). Das realidades Divinas apenas se pode elucidar o que a linguagem humana em sua limitação pode apreender, pois Deus está para além de qualquer forma, nomeação ou qualquer elucubração discursiva.
A palavra “dogma” do grego δoγμata tem sido usada pela Igreja, desde os dias dos Apóstolos como definição de uma verdade a ser seguida (Atos 16:4). Aqui a referência é para os decretos do Concílio Apostólico que é descrito no capítulo quinze dos Atos dos Apóstolos. Estas verdades a serem seguidas estão contidas nos decretos (dogmas) dos sete Concílios Ecumênicos (os quais traduzem a mente una da Igreja indivisível). A grande Suma Teológica da Igreja se expressa no Credo Niceno-Constantinopolitano [elaborado pelos dois primeiros Concílios Ecumênicos, o de Nicéia (325) e o de Constantinopla (331)].
A palavra “teoria” (θεωρία) deriva de dois termos gregos “Theos” (Θεός = Deus) e “ora” (όρα = visão), ou seja, contemplação do Divino. Devido à natureza incompreensível da Deidade, o local privilegiado para esta contemplação não é a razão discursiva, mas a oração [onde os espíritos se comunicam e iluminam a razão (I Cor 2:11,12) vivida e comunicada por uma doxologia (Rm 12:1,2) que envolve palavras, gestos e objetos dada a limitação dos conceitos e a riqueza de significado dos símbolos.
Assim, a Igreja Ortodoxa segue o caminho de compreender muito mais pela via da negação (apofática, do grego Θεόapς) do que da afirmação (catafática). Ou seja, não se pode compreender a Deus tentando classificá-lo por meio de qualquer categoria humana de pensamento ou de representação deste, posto que Ele está acima de qualquer conceituação.
Por isto nossa biblioteca conhece duas naturezas de escritos teológicos: os dogmáticos (aquilos que devemos crer) e os teóricos (aquilo que nos deve guiar pela mediação da compreensão dogmática).

















































