A Igreja Ortodoxa adora a Deus com o mesmo espírito com o qual ele é adorado no Céu (segundo as revelações presentes em Isaías, Ezequiel e no Apocalipse). Isso supõe a utilização de elementos externos como o incenso, as velas, as vestes litúrgicas, as prostrações, do momento em que adorar a Deus na terra comporta uma experiência que envolve também o corpo. A Igreja venera a cruz, os evangelhos, as imagens de Cristo e, por extensão, todos os ícones dos santos. Prestando-lhes homenagem, o fiel se volta ao Protótipo por ele representado (Cristo).
Todo ato litúrgico da Igreja Ortodoxa não é, absolutamente, vivido como uma ostentação triunfalística, pois os sinais servem para convidar o fiel a voltar o próprio olhar sobre si e não para fora de si. A Liturgia não quer atingir a imaginação nem seu fim é doutrinar e submeter os fiéis ao poder de outros homens que decidam por eles. A Igreja e a Liturgia outra coisa não são do que um ambiente no qual saímos de nós fisicamente e espiritualmente para conseguir sempre mais e sempre melhor voltar o próprio olhar em si mesmo, lugar no qual Deus se revela. Para tal fim, é indispensável abrir os olhos do coração, isto é, da própria interioridade.
A palavra Liturgia é termo grego e Significa “serviço público.” Na terminologia da Igreja, significa o Serviço Divino durante o qual são oferecidos os Santíssimos Corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo no Sacramento da Comunhão ou Eucaristia.
O termo “Eucaristia” em grego, significa “agradecimento.” É um sacramento do Novo Testamento instituído por Jesus Cristo, nosso Salvador, antes de Sua paixão e morte.
Os Santos Apóstolos e Evangelistas Mateus, Marcos e Lucas descrevem com detalhes a instituição do sacramento da Eucaristia na Última Ceia do Senhor, na Quinta feira Santa (Mt. 26:26-29; Mc.14:20-24; Lc. 22:14-20):
Tomando em Suas Santas mãos o pão, levantou os olhos aos Céus, deu graças e agradecimento ao Pai, Partiu o pão em pedaços e distribuiu-os, Dizendo: “Tomai e comei, este é o meu Corpo que é dado por vós.”
Os apóstolos receberam o pão de Suas mãos e distribuíram entre si.
E tomando o cálice, deu graças a Deus Pai e deu-o aos discípulos, dizendo: “Bebei dele todos, este é o meu Sangue do Novo Testamento, o qual é derramado por vós e por muitos, para a remissão dos pecados.” E tomaram dele todos, após o que, Jesus disse: “Fazei isto em memória de Mim.”
Os apóstolos seguiram fielmente este mandamento de Jesus e celebravam constantemente este sacramento. Assim faziam também todos os Bispos e Sacerdotes ordenados pelos apóstolos na Igreja por eles fundada, seguindo fielmente esta santa tradição até o século IV.
São Basílio, o Grande, arcebispo de Cesaréia na Capadócia (+379), baseando- se em todas as tradições antigas da Igreja compôs a Divina Liturgia que é celebrada até os dias de hoje, 10 vezes por ano.
São João Chrysóstomos, Arcebispo de Constantinopla (+404), sem alterar a essência da Liturgia de São Basílio, encurtou-a e, nessa forma abreviada, é celebrada em nossa Igreja todos os dias, inclusive domingos e dias santos.
Assim, o texto da parte mais importante da Liturgia remonta aos tempos apostólicos e, até hoje, é santa e fielmente seguido pela Igreja Ortodoxa, sem alterações.




